segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ser (de novo) criança…

Percorro as páginas do Evangelho e surpreendo-me do novo com o Pai nosso… (Lc 11, 2-4) e dou comigo a pensar em Jesus, o Eterno Filho. De facto, se notarmos bem, o Evangelho outra coisa não é, do que uma imensa lição que nos ensina a ser filhos de Deus.
E ser filho é difícil! É difícil ouvir “não” do pai ou da mãe. É difícil perceber que os “não faças isso”, têm uma sabedoria intrínseca, que eu me recuso perceber à primeira. É difil ouvir os “eu bem te avisei” depois de uma desobediência que me levou a duras penas!
Volto a rezar o Pai nosso, e apercebo-me o quão mais difícil é ser Pai. É difícil ver o rosto de um filho depois da desilusão da desobediência. É difícil ouvir o choro do Filho quando a sua vontade não é feita, mas há que manter o pulso firme e o rosto severo. É difícil ver o filho soluçar, quando a dor não consegue ser evitada pelo Pai. E o Pai, cala a voz amarga do “preferia sofrer eu”, ante a sua impotência.
Ainda agarrado ao Pai nosso, entendo que não o entendo, quando umas páginas à frente o Senhor me acende uma candeia para melhor o perceber: “se não fordes como crianças não entrareis no reino dos céus” (Lc 18, 15-17).
Procuro Nicodemos (Jo 3, 1ss), e tento rezar de novo: Pai nosso…
Percebo que ultimamente tenho-me esquecido de buscar esta simplicidade dos pequeninos, que até é incongruente para quem anda ás voltas com a construção de uma creche. Penso em Teresinha do Menino Jesus, tenho a graça de beijar a sua relíquia e tento mais uma vez: Pai nosso…
Lucas tem razão, se não formos como crianças não conseguimos, e temos mesmo de aprender a nascer de novo, como ensina João, e repetir uma e outra vez: Pai nosso…

Pai nosso… Pai meu… ensina-me a nascer… a ser criança… a ser filho teu!

1 comentário:

Lourdes disse...

Belíssimo! É assim no amor: difícil ser filho e difícil ser pai!
Eu também quero voltar a ser criança!“PAI NOSSO que estais no céu…”