quinta-feira, 19 de julho de 2012

Carta do João Miguel Tavares ao Reitor da Lusófona

Isto agora parece que virou moda, pedir cursos por equivalencia.
Até o meu presidente pediu 4 cursos, veterinária, Biologia, Informática e Astronomia.

Já agora, e se não custa nada, seguindo os passos do meu presidente quero 4: economia e gestão, engenharia civil, psicologia e sociologia. ( coloco na carteira até ao próximo escândalo educador infância, arquitectura, recursos humanos e ciência política).

Segue a deliciosa carta do Miguel:

> Carta aberta ao reitor da Universidade Lusófona Exmo. Reitor.
>
> Foi com grande satisfação que soube que a Universidade Lusófona conferiu uma
> licenciatura em Ciência Política ao Dr. Miguel Relvas em apenas 14 meses,
> reconhecendo dessa forma a sua elevada estatura intelectual. Sempre sonhei
> com o alargamento das Novas Oportunidades ao Ensino Superior e fiquei muito
> feliz por terem dado o devido valor à cadeira de Direito que o senhor
> ministro fez há 27 anos com nota 10. Depois, naturalmente, o processo foi
> "encurtado por equivalências reconhecidas" (palavras do Dr. Relvas), após
> análise do seu magnífico currículo profissional.
>
> É dentro desse mesmo espírito que vinha agora solicitar igual tratamento
> para a minha pessoa. Embora seja licenciado pela Universidade Nova com uns
> simpáticos 17 valores, a verdade é que o curso levou--me quatro anos a
> concluir e o Jornalismo anda pela hora da morte. Nesse sentido, e após
> análise da oferta disponível no site da universidade, venho por este meio
> requerer a atribuição do grau de licenciado em: Animação Digital (tenho
> visto muitos desenhos animados com os meus filhos), Ciência das Religiões
> (às vezes vou à missa), Ciências Aeronáuticas (já viajei muito de avião),
> Ciências da Nutrição (como imensa fruta), Direito (fui duas vezes
> processado), Economia (sustento uma família numerosa), Fotografia (tiro
> sempre nas férias) e Turismo (visitei 15 países). Já agora, se a
> Universidade Lusófona vier a ministrar Medicina, não se esqueça de mim. A
> minha mulher é médica, e tendo em conta que eu durmo com ela há mais de dez
> anos, estou certo de que em seis meses posso perfeitamente ser doutor.
>
> Respeitosamente,
>
> João Miguel Tavares, cronista CM
 

sábado, 14 de julho de 2012

Os doutores

na velha Roma havia um ditado, muito usado pelo senado:"panis et circenses"...
O nosso amigo Salazar, dizia que ao povo bastava pão... agora, nos dias que são os nossos, basta o circo!
É verdade! e o panorama das nossas rádios mostra claramente isso! Agora temos os humoristas todos espalhados pela radiologia lusófona! E o povo gosta. E o povo gosta!
Deixo-vos um video de uma das nossas rádios! E mais circo!
Agora espanta-me andarmos espantados com este curso do nosso ministro! Em portugal o que não falta são doutores, que nunca o foram, mas gostam de ser!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A verdade que doi, ou corroi!

...a voz que clama no deserto!
Vale a pena testemunhar a verdade! Tenho pena de não termos mais desta qualidade, principalmente na nossa Igreja!
Tenho pena eu, de não ser mais vezes assim!
Enquanto formos mornos, e não ouvirmos mais Tertuliano: "sanguis martirium est semen cristianorum", seremos sempre vomitados da Boca de Deus! Neste momento a nossa Europa é isto, um vómito!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

4 anos

À quatro anos atras era domingo...
Estava um dia de sol...
Havia muitos nervos
e medos dentro de mim...
Também era dia de Santa Maria Goretti.
Hoje esta vento... Mais do que là.
Alguns medos foram comidos pelos certezas...
Hoje também há monstros,
como naquele tempo là atrás.
A alegria é mesma,
e a vontade de ser feliz.
Hà mais certezas de ser feliz.
O comboio já não existe.
O do exilio já não existe.
Há mais monstros.
Há mais Deus.
Amigos.Fizeram-se e agarraram-se.
Há amigos ainda perdidos no tempo,
como à quatro anos atrás.
Hoje não é à quatro anos atrás.
Mas se aquele tempo não existisse,
o hoje não haveria.
Ó Deus. A quem agradecer por estes quatro anos?
A quem pedir perdão nestes quatro anos?
A tantos. A Ti.
Sempre Tu.
Sempre a Ti.

terça-feira, 3 de julho de 2012

no ventre de uma mãe...

... à amiga Andreia!
No ventre de uma mulher grávida, dois bebés conversam…

O primeiro pergunta ao outro:

- Ouve lá, acreditas na vida após o nascimento?

- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento.
Este tempo aqui é muito pouquinho, e talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Ah! Disparate. Não há vida após o nascimento. Não pode. Em primeiro lugar que provas tens dessa vida? Como é que é possível sobreviver ao nascimento? E já agora, como é que seria essa vida?

- Bem. Eu não sei exactamente como será, mas certamente haverá mais luz do que aqui e possamos usar os olhos.
Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.

- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível, não percebes que jamais teremos força para suportar o peso do corpo, as pernas são finas e frágeis e o corpo é muito maior. E comer com a boca? É totalmente
ridículo! O cordão umbilical é que alimenta, ora se tens o cordão para que necessitas da boca? Efectivamente temos muitos apetrechos corporais que não usamos, evidentemente porque na evolução da nossa espécie se deixou de usar e desaparecerão! Para mais, conforme mostram as evidencias vida após o nascimento está excluída: o cordão umbilical é muito curto, logo impossibilita o caminhar, e comer com a boa e esses disparates.

- Na verdade, certamente há algo, eu sinto, mas talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento, para provar a existência dessa vida. O parto apenas encerra a vida, e coloca um ponto final na nossa existência. E afinal de contas, isso a que tu chamas a vida depois do nascimento, nada mais seria, do que a angústia prolongada na escuridão, ou seja, acaba tudo!

- Bem, eu não sei exactamente como será depois do nascimento, mas com certeza a nossa mãe cuidará de nós, e ensinar-nos-á tudo o que precisamos saber.

- Mãe? Mas que Mãe? E onde é que ela supostamente está? E se existe porque é que não aparece aqui e agora?

- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos, sem ela tudo isto não existiria.

- Mas não vês que isso não tem logica nenhuma! Eu nunca vi nenhuma mãe, e para existir ela tinha de estar aqui certo? Por isso, é claro que não existe nenhuma “mãe”.

- Bem eu também nunca a vi, mas às vezes quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou sinto-a afaga nosso mundo. Por isso é que eu sei que após o nascimento ela nos receberá, e apenas aqui ela nos prepara para a vida verdadeira!


- Sim, sim!
- Verás...
Adaptado de uma versão, que me chou por mail, sem citação de autor.

sábado, 30 de junho de 2012

o hissope...

Mário!
Já me tinha esquecido disto! As coisas que um padre faz... Não foi na Polónia, mas no Brasil!
...e esta?? :)

OS HIPÓCRITAS QUE VÃO À MISSA

OS HIPÓCRITAS QUE VÃO À MISSA
A propósito do despropósito dos católicos não praticantes

Foi há já algum tempo que uma pessoa, algo impertinente, disparou contra mim, à queima-roupa, a razão da sua não prática religiosa:
- Eu não vou à Missa porque está cheia de hipócritas!
Apesar de não ser um argumento propriamente original – na realidade, nem sequer é um argumento – o tópico deu-me que pensar, sobretudo porque é esgrimido, com frequência, pelos fervorosos «católicos não praticantes» que, como é sabido, abundam. São, em geral, fiéis descomprometidos, ou seja, pessoas baptizadas que dispensam a prática religiosa colectiva, com a desculpa de que nem todos os praticantes são cristãos exemplares.
Alguns praticantes são, no sumário entendimento dos que o não são, pessoas duplas, porque aparentam uma fé que, na realidade, não vivem, enquanto outros há, como os ditos não praticantes, que mesmo não cumprindo esses preceitos cultuais, são mais coerentes com a doutrina cristã. A objecção faz algum sentido, na medida em que a vida cristã não se reduz, com efeito, a uns quantos exercícios piedosos.
Mas o cristianismo é doutrina e vida: é fé em acção, esperança viva e caridade operativa. Portanto, a prática comunitária é essencial à vida cristã e a praxe litúrgica, embora não seja suficiente, é-lhe necessária. Assim sendo, mesmo que os praticantes não vivam cabalmente todas as virtudes cristãs, pelo menos não descuram a comunhão eclesial, nem a prática sacramental e a vida de oração. Deste modo, cumprem uma das mais importantes exigências do seu compromisso baptismal, ao contrário dos não praticantes, não obstante a sua auto-proclamada superioridade moral.
Os fiéis que não frequentam a igreja, à conta dos fariseus que por lá há, deveriam também abster-se de frequentar qualquer local público, porque provavelmente está mais pejado de hipócritas do que o espaço eclesial. Estes novos puritanos deveriam também abster-se de ir aos hospitais que, por regra, estão cheios de doentes, e às escolas, onde pululam os ignorantes. É de supor que o único local digno da sua excelsa presença seja tão só o Céu, onde não consta qualquer duplicidade, pecado, fraqueza, doença, ignorância ou erro. Mas também não, ao que parece, nenhum católico não praticante…
Segundo a antropologia cristã, todos os homens, sem excepção, são bons, mas nem todos praticam essa bondade. Um mentiroso não é uma pessoa que não acredita na verdade, mas que não é sincero, ou seja, não pratica a veracidade. Os ladrões são, em princípio, defensores da propriedade privada, mas não a respeitam em relação aos bens alheios. Um corrupto não o é porque descrê da honestidade, mas porque a não pratica. Aliás, as prisões estão repletas de boa gente, cidadãos que crêem nos mais altos e nobres valores éticos, mas que os não praticam.
Mas, não são farisaicos os cristãos que são assíduos nas rezas e nas celebrações litúrgicas, mas depois não dão, na sua vida pessoal, familiar e social, um bom testemunho da sua fé? Talvez. Só Deus sabe! Mas, mesmo que o sejam, convenhamos que são uns óptimos hipócritas. Os hipócritas são bons quando sabem que o são e procuram emendar-se, e são maus quando pensam que o não são, justificam-se a si próprios, julgam e condenam os outros. Os crentes que participam assiduamente na eucaristia dominical, sempre que o fazem recebem inúmeras graças e reconhecem, publicamente, a sua condição de pecadores, de que se penitenciam, com propósito de emenda. Mesmo que não logrem de imediato a total conversão, esse seu bom desejo e a participação sincera na celebração eucarística é já um grande passo no caminho da perfeição.
Foi por isso que, com alguma ironia e um sorriso de verdadeira amizade, não pude deixar de responder àquele simpático «católico não praticante»:
- Não se preocupe por a Missa estar cheia de hipócritas: há sempre lugar para mais um!
P. Gonçalo Portocarrero de Almada