quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

aprender a ser ignorante

Ando a escrever um texto que será publicado no aniversário do Seminário de São Paulo, e ando com esta expressão ás voltas na minha cabeça: "aprender a ser ignorante".
Acho que é isto que resume estes dois meses na paróquia como pároco. E isto aprendi naquilo que a maioria das pessoas acha que é a maior perda de tempo, os sábados de manhã que passo a confessar... As lágrimas que fui aprendendo a enxugar, as feridos que vou tentando sanar... " o Senhor padre impõe-me as mãos, e fico tão aliviado" ouvi estes dias... e eu fico ali jogado na minha ignorancia, porque afinal é Deus que faz, é Ele que diz, é Jesus quem cura, é o Espirito que conforta...

Senhor afinal para que precisas Tu de mim... acho que começo a perceber a voz dos santos padres "é na confissão que se aprende a ser padre". Realmente ai, estou a aprender que nada sei de nada: na escola da confissão, ando a aprender a ser ignorante!

Imagem: REMBRANDT: Regresso filho pródigo, água-forte, Nova York, Pierpont Morgan Library

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Abra-se o Céu: e chova-nos o Justo

Em cada Natal é impossível não me lembrar do "longínquo" Nascimento do Senhor do ano 2000. Nesse ano andava eu pelas terras de Moçambique, e dei por mim a sentir falta do frio de natal, imagine-se! Mas o Natal africano não tem nada de frio, pelo contrário, é muito quente.
O que não senti falta, foi das correrias comerciais europeias, e até dei graças a Deus, não ter que passar pelo “sufoco dos presentes”. Na verdade, sempre tinha detestado ter de comprar “para oferecer, porque senão parece mal”.
Nesse natal descobri, que afinal eu não comprava nada para Aquele que fazia anos: Nosso Senhor Jesus Cristo, e que afinal a Ele nunca lhe tinha parecido mal eu me ter esquecido d’Ele 23 anos seguidos. Nunca se importou com a minha indiferença e nasceu para mim, ano após ano!
Foi preciso ir a África para descobrir o que era o Natal!
Quando voltei um ano depois, continuei a ignorar as prendas de Natal, acho que de facto a algumas pessoas lhe pareceu mal darem-me presentes e eu retribuir com um cartão. Mas nesse cartão escrevi e ainda esboço um desejo que brota do mais íntimo do meu coração:
“Que neste Natal, deixes Jesus nascer nas palhinhas do teu coração, e assim em ti, Ele encontre o abrigo, que em cada Natal muitos lhe recusam”.
Santo Advento,
Na alegria deste Menino que nasce, de novo, para nós.

sábado, 1 de novembro de 2008

NO MARULHAR DAS FOLHAS DE OUTONO



Começa a sentir-se uma certa agitação no ar, por-que o Menino vem a caminho, e o nosso coração inquieta-se para o receber.
No rescaldo de uma peregrinação, em que visitá-mos um lugar que teve a graça de receber a Mãe da verdadeira Graça, devemos continuar em pere-grinação. Não devemos e não podemos perder a consciência, que somos, sempre, Povo a Caminho.
Deixamos para trás este mês que consagrámos especialmente a Maria, mas saudamos o mês de todos os santos, o mês em que dedicamos particular atenção àqueles que terminaram a sua peregrina-ção na terra. E surpreendentemente volvemos de novo os nossos olhos até Maria, pois é Ela a Rainha dos Santos. É ela que na sua solicitude de Mãe, nos faz lembrar (como em Fátima) daqueles que, já não peregrinando connosco na terra, precisam da nossa oração para entrarem no Céu.
Entra o mês que nos traz o pleno Outono. Sopra o vento, e as folhas sobre a chuva imitam as expedições marítimas das descobertas. Há que partir também cada um de si, para os braços deste Jesus, Senhor e Rei das nossas vidas. O desafio é não se perder no rebuliço que em breve vai inundar os nossos olhos, e descentrarmo-nos do mais importante.
Estamos a caminhar para a vinda d’Ele, mas não podemos esquecer que esta preparação é feita numa gruta de animais. Não nos deixe-mos entorpecer, pelo marulhar das folhas de Outono, e trocar a humilde gruta por um pomposo palácio comercial, mas onde apesar das luzes de natal, não nasce Aquele que se faz Natal.
Voltemos à chuva de Novembro, que nos lave do que não queremos. Que as folhas de Outono nos ensinem a deixar cair o que não é essencial na nossa vida. A santa Maria e aos santos de Deus, entregamos este tempo de preparação, que se quer de santidade para receber o Santo de Deus.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

"tempo... esse véu decoroso de horas"

Vou deixando ficar muita coisa nas margens do meu tempo. Tanta coisa: conversas e mensagens com amigos, que ficam a vagear na eternidade do meu pensamento; a visita a minha afilhada mais nova tantas vezes adiada; o tal café prometido que se vai desfazendo nas borras de um futuro que não tem presente. O gosto da pintura traduz-se numa tela manchada, que não tem conclusão à vista; a poesia fica-se num sem numero de versos sem rima.
Só nosso Senhor vai conseguindo arrancar tempo do meu tempo, já que o tempo é sempre tempo dele. No livro, no qual morrem os segundos de tréguas do meu cansaço, li "o tempo, esse véu decoroso de horas" (Expiação-Ian McEwan). Afinal queridos amigos, é só o que me vai separando de vós, um véu de tempo. Tenho e-mails, mensagens, telefonemas para vos fazer; permaneço na desculpa de que me falta tempo, para rasgar o véu deste tempo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A MEDIDA DO AMOR É AMAR SEM MEDIDA

No início do ano pastoral, esta frase de Santo Agostinho, tem a força necessária para nos por em marcha até esse amor infinito que nasce do lado aberto de Jesus.
A medida do amor, será um belíssimo guia para nós que nos preparamos para viver este ano Paulino. Santa Teresa do Menino Jesus ajuda-nos neste propósito, servindo de modelo e guia numa vocação do Amor. Desafio que cada um descubra e aprofunde a sua vocação de amar.

A linguagem do amor, que será o mesmo que dizer a linguagem do reino dos céus, é a única que pode fecundar os nossos actos, as nossas palavras, os nossos pensamentos.
Afinal, a Cruz é a expressão última desse amor, derramado por nós, para nos fazer crescer e frutificar. A cruz é esse arado que cuida da Vinha do Senhor, é a Fonte que a rega, é o Sol que a ilumina.
Fomos resgatados por alto preço, no dizer de São Paulo, pois que Deus nos conceda o seu Espírito de sabedoria e de coragem para sermos merecedores e anunciadores desse preço, que é o próprio Jesus.
Olhemos para a cruz que é nosso guia, mas não esuqeçamos também de olhar para o Senhor Ressuscitado, razão da nossa esperança, da nossa ETERNA ALEGRIA.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ser pároco

Desde ontem que me juntei a uma multidão de padres por esse mundo fora, que tem a seu cuidado um povo específico. Uma porção de povo, dentro da própria porção da Igreja Local, que é uma Diocese.
A mim cabe-me cuidar e velar, por essa multidão, que habita na paróquia de Nª Sr.ª da Graça de Corroios. Uma Paróquia jovem, com duas comunidades, uma em Corroios e uma em Santa Marta. Duas faces de uma mesma moeda, que se completam, que se unem neste amor ao Senhor.
Dou por mim a pensar, no que poderá um jovem padre oferecer a uma paróquia deste tamanho, com a história que a constrói, nada. Certamente nada. E é nessa medida, que me coloco nas mãos de Deus, para que Ele faça tudo, e de tudo o que Corroios precisa.
Começo a perceber cada vez melhor as palavras de São João: "é preciso que cresça, e eu diminua (Jo3,30)".

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

voltar...continuar...

Ouvi estes dias, tantas e tantas vezes que tinha de actualizar este meu blog. Eu bem que tentei, mas o tempo é algo que não abunda na minha vida...
Há sempre tempo, comente-se, porventura é verdade.
Nestas férias, fiz muito, e quase não fiz nada. Mas como disse uma professora minha um dia "e o que é que isso interessa". O bom foi que estive com muitos amigos, dou graças a Deus por isso, pessoas algumas delas que não via há muito... fez-me bem, muito bem.
E o mais importante de tudo, foi que eram as primeiras férias como padre, afinal, tudo mudou...

E agora, estou a mudar de vida outra vez. Mudar de casa, de terra. Vou ser pároco de Corroios, terra que me ajudará a aprender a ser de Cristo.
E queridos amigos, vou tentar ser constante nas noticias que por aqui vos vou dando, pois como me dissestes: "ao menos que seja pelo blog que sabemos de ti". Pois que se faça a vossa vontade, pelo menos neste ponto.

então até já...