segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

É tempo de recomeçar…

Para recomeçar é bom relermos as palavras de Qohélet (Eclesiastes) em 3, 1-8, e voltarmos a pensar no nosso tempo e o que fazemos dele.
O que fazemos nós do nosso tempo? Como o gastamos? Como o aproveitamos? O tempo é, também ele um dom, é um outro talento sobre o qual também teremos de dar contas ao Senhor do tempo quando Ele vier.
No início deste ano seria bom que reflectissemos no tempo que Deus nos concede, como uma proposta ou um convite para recomeçarmos. Recomeçar não é olhar para trás com pena daquilo que não temos, não somos ou não fizemos.
Recomeçar é agarrar em tudo aquilo que fiz e não fiz e aprender com isso. Recomeçar é fazer mais e melhor. Recomeçar é porventura agarrar no meu pecado, purificá-lo e com ele construir. Também as grandes construções se fizeram com pedras cheias de imperfeições. Não devemos esquecer que a Pedra angular de Deus foi aquela que os construtores rejeitaram. Recomeçar não é fechar os olhos àquilo de que não gostei, é fazer disso mesmo também uma lição de vida.
Ano novo é por isso, tempo de recomeçar. Não é tempo de fazer tudo de novo, pois assim só se cometem os mesmos erros. É tempo sim, de agarrar as lições que aprendi e ir mais longe.
Recomeçar, é olhar de novo para o presépio de Belém e depois de adorá-lo voltar a casa, mas por outro caminho.
Santo ano, cheio das bênçãos e graças do Senhor.
imagem: MOISÉS, carvão s/papel, colecção particular.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Maria...e o Mistério do seu SIM

Eu e o meu amigo pe Mario sonhamos em fazer um musical sobre Nossa Senhora.
Até lá...
"Anuncio-vos uma grande alegria...
Hoje em Belém da Judeia,
Nasceu o Messias.
Por isso é NATAL..."
Santo Natal,
Na alegria de Jesus Encarnado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

a sociedade da (des) informação; do ocidente ou da ignorancia...

Por estes dias tivemos a graça de festejar a Conceição imaculada de Nossa Senhora. E em Portugal, quis a História e por benesse real, que seja feriado nesse dia. Mas como dia Santo que é, todo o Católico tem a obrigação grave de ir celebrar com a sua comunidade este dia.
E eu lá estive de pedra e cal na paróquia, mesmo sendo a uma segunda feira que hipoteticamente deveria ser o meu dia de descanso… e como de costume ai pelas 16h30 fui tomar o meu café, antes da missa das 18h. E contava-se no café “ai sobe-me mesmo bem este dia em casa… a propósito este dia é do quê?”
Fica-se em casa, de dia de descanso, mas não se sabe “do que é”!!!!!!!!!!
E depois ficamos admirados dos miúdos de hoje não saberem a tabuada?????????
Mas afinal, se somos um pais laico, o governo que tirou os crucifixos da escola não devia trabalhar neste dia??? E no dia de Natal, que nem é feriado?? E já agora: alguém já se lembrou de perguntar o que se celebra no Natal? Será a festa da família, do peru, ou daquele boneco estúpido que trepa varandas ou chaminés e agora já nem entrega prendas porque há lojas que fazem promoções melhores?
Resumindo: esta é a sociedade da informação?
Não será antes a sociedade da crassa ignorância; a sociedade das celebrações sem sentido, que faz festa e fica de descanso em casa, mas sem se saber a razão de tal facto!!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

aprender a ser ignorante

Ando a escrever um texto que será publicado no aniversário do Seminário de São Paulo, e ando com esta expressão ás voltas na minha cabeça: "aprender a ser ignorante".
Acho que é isto que resume estes dois meses na paróquia como pároco. E isto aprendi naquilo que a maioria das pessoas acha que é a maior perda de tempo, os sábados de manhã que passo a confessar... As lágrimas que fui aprendendo a enxugar, as feridos que vou tentando sanar... " o Senhor padre impõe-me as mãos, e fico tão aliviado" ouvi estes dias... e eu fico ali jogado na minha ignorancia, porque afinal é Deus que faz, é Ele que diz, é Jesus quem cura, é o Espirito que conforta...

Senhor afinal para que precisas Tu de mim... acho que começo a perceber a voz dos santos padres "é na confissão que se aprende a ser padre". Realmente ai, estou a aprender que nada sei de nada: na escola da confissão, ando a aprender a ser ignorante!

Imagem: REMBRANDT: Regresso filho pródigo, água-forte, Nova York, Pierpont Morgan Library

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Abra-se o Céu: e chova-nos o Justo

Em cada Natal é impossível não me lembrar do "longínquo" Nascimento do Senhor do ano 2000. Nesse ano andava eu pelas terras de Moçambique, e dei por mim a sentir falta do frio de natal, imagine-se! Mas o Natal africano não tem nada de frio, pelo contrário, é muito quente.
O que não senti falta, foi das correrias comerciais europeias, e até dei graças a Deus, não ter que passar pelo “sufoco dos presentes”. Na verdade, sempre tinha detestado ter de comprar “para oferecer, porque senão parece mal”.
Nesse natal descobri, que afinal eu não comprava nada para Aquele que fazia anos: Nosso Senhor Jesus Cristo, e que afinal a Ele nunca lhe tinha parecido mal eu me ter esquecido d’Ele 23 anos seguidos. Nunca se importou com a minha indiferença e nasceu para mim, ano após ano!
Foi preciso ir a África para descobrir o que era o Natal!
Quando voltei um ano depois, continuei a ignorar as prendas de Natal, acho que de facto a algumas pessoas lhe pareceu mal darem-me presentes e eu retribuir com um cartão. Mas nesse cartão escrevi e ainda esboço um desejo que brota do mais íntimo do meu coração:
“Que neste Natal, deixes Jesus nascer nas palhinhas do teu coração, e assim em ti, Ele encontre o abrigo, que em cada Natal muitos lhe recusam”.
Santo Advento,
Na alegria deste Menino que nasce, de novo, para nós.

sábado, 1 de novembro de 2008

NO MARULHAR DAS FOLHAS DE OUTONO



Começa a sentir-se uma certa agitação no ar, por-que o Menino vem a caminho, e o nosso coração inquieta-se para o receber.
No rescaldo de uma peregrinação, em que visitá-mos um lugar que teve a graça de receber a Mãe da verdadeira Graça, devemos continuar em pere-grinação. Não devemos e não podemos perder a consciência, que somos, sempre, Povo a Caminho.
Deixamos para trás este mês que consagrámos especialmente a Maria, mas saudamos o mês de todos os santos, o mês em que dedicamos particular atenção àqueles que terminaram a sua peregrina-ção na terra. E surpreendentemente volvemos de novo os nossos olhos até Maria, pois é Ela a Rainha dos Santos. É ela que na sua solicitude de Mãe, nos faz lembrar (como em Fátima) daqueles que, já não peregrinando connosco na terra, precisam da nossa oração para entrarem no Céu.
Entra o mês que nos traz o pleno Outono. Sopra o vento, e as folhas sobre a chuva imitam as expedições marítimas das descobertas. Há que partir também cada um de si, para os braços deste Jesus, Senhor e Rei das nossas vidas. O desafio é não se perder no rebuliço que em breve vai inundar os nossos olhos, e descentrarmo-nos do mais importante.
Estamos a caminhar para a vinda d’Ele, mas não podemos esquecer que esta preparação é feita numa gruta de animais. Não nos deixe-mos entorpecer, pelo marulhar das folhas de Outono, e trocar a humilde gruta por um pomposo palácio comercial, mas onde apesar das luzes de natal, não nasce Aquele que se faz Natal.
Voltemos à chuva de Novembro, que nos lave do que não queremos. Que as folhas de Outono nos ensinem a deixar cair o que não é essencial na nossa vida. A santa Maria e aos santos de Deus, entregamos este tempo de preparação, que se quer de santidade para receber o Santo de Deus.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

"tempo... esse véu decoroso de horas"

Vou deixando ficar muita coisa nas margens do meu tempo. Tanta coisa: conversas e mensagens com amigos, que ficam a vagear na eternidade do meu pensamento; a visita a minha afilhada mais nova tantas vezes adiada; o tal café prometido que se vai desfazendo nas borras de um futuro que não tem presente. O gosto da pintura traduz-se numa tela manchada, que não tem conclusão à vista; a poesia fica-se num sem numero de versos sem rima.
Só nosso Senhor vai conseguindo arrancar tempo do meu tempo, já que o tempo é sempre tempo dele. No livro, no qual morrem os segundos de tréguas do meu cansaço, li "o tempo, esse véu decoroso de horas" (Expiação-Ian McEwan). Afinal queridos amigos, é só o que me vai separando de vós, um véu de tempo. Tenho e-mails, mensagens, telefonemas para vos fazer; permaneço na desculpa de que me falta tempo, para rasgar o véu deste tempo.