quarta-feira, 13 de junho de 2007

Santo António de Lisboa, ofm

Nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1195 e morreu em Pádua a 13 de Junho de 1231.
O seu nome de baptismo foi Fernando Martim de Bulhões e Tavera Azevedo, filho da fidalga D. Teresa Tavera, descendente de Fruela, rei das Astúrias e de seu marido Martinho ou Martins de Bulhões. D. Teresa nasceu em Castelo de Paiva e o marido numa terra próxima. Viviam em casa própria no bairro da Sé quando o recém-nascido veio a este mundo, no ano de 1145, embora alguns apontem como data de nascimento 1190 ou 1191.
Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria.
Rumou a Coimbra, em 1211 quando contava com 16 anos, até ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Nesse tempo era a abadia de Cluny, em França, que possuía uma das maiores bibliotecas da Europa, com um total de 570 volumes manuscritos, porque ainda não tinha sido inventada a imprensa.
Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos.
O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. E da parte dos Muçulmanos dava-se a inversa, luta contra os cristãos. Ambos acreditavam que a fé os levaria à vitória. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em poucos anos, homens e mulheres, alguns ainda bem jovens e filhos de famílias abastadas e poderosas sentem-se atraídos por esta vida de despojamento e sacrifício, com os olhos postos no exemplo de Cristo. A Portugal também chegaram ecos deste novo misticismo.
Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. A própria Clara de Assis (Santa Clara), praticamente da mesma idade que Santo António (nasceu em 1193 ou 1194) vai querer partir para Marrocos para converter os sarracenos, mas Francisco de Assis seu amigo de infância e seu orientador espiritual não lho permite.
Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. È nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais, na altura um pouco afastado de Coimbra, nuns terrenos doados por D. Urraca, mulher do rei D. Afonso II.
Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António.
Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados entre o Papa Gregório IX e o rei da Sicília, Frederico II. Relembra-se que várias regiões do que é hoje a Itália unificada eram reinos independentes e este ambiente de guerras geradoras de insegurança e perigos.
Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. No final os frades regressam às suas comunidades de Montepaolo, perto de Bolonha, onde, a par da vida contemplativa e de oração, cabe também tratarem das tarefas domésticas do convento. Aqui os outros frades reparam na grande modéstia daquele estrangeiro (Santo António) e jamais suspeitaram dos seus profundos conhecimentos teológicos. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares.Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pragador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Por sugestão do próprio São Francisco vai ser mestre de Teologia em Bolonha, Montpelier e Toulouse.
Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua.
Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo mais ou menos crente, que passam palavra e casa vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. É um caso raro de popularidade.
A multidão segue-o e começa a fama de que faz milagres. Os rapazes de Pádua têm mesmo que fazer de guarda-costas do Santo português tal a multidão à sua volta. As mulheres tentam aproximar-se dele para cortarem uma pontinha do seu hábito de frade como uma relíquia.
Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, a 13 de Julho de 1231 em Arcela, que Santo António partiu para a casa do Pai.
Depois, como é sabido, foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica. Já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio.
Os santos como Santo António, há muito que desceram dos altares para conviverem connosco, os simples mortais, que tomamos como nosso protector e amigo. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé em Pádua e morreu em Arcela.
Como todos os santos é universal.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Uma questão de cor...

Todos os dias, passam á nossa frente actitudes racistas, que matam, sem se dar por isso! Será que hoje, os homens ainda não perceberam, aque afinal a cor... é so uma questão de "ocasião".

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Se... logo...

Problemas existenciais... que na era da tecnologica fazem todo o sentido!
Quem disse que a filosofia não pertencia ao reino informático!?

Obrigado Céu! Agora sempre estou para ver o teu comentário Luis.Lol
beijos á prima...

domingo, 10 de junho de 2007

Corpus Christi

Hoje, em muitas partes do mundo a Igreja celebra a Solenidade do Santissimo Corpo e Sangue de Jesus. Em Pamplona, depois da Missa houve a Procissão pela Cidade. De volta à Catedral, segundo uma secular tradição, houve o Baile de los Seises ante el Santissimo, uma dança executada por seis rapazes, que vestidos a rigor num traje palaciano de séc. XVIII, executaram as danças de inspiração medieval, numa atitude de profunda devoção e adoração ao santissimo solenemente exposto. Depois das palavras de despedida do Sr. Arcebispo, no pórtico da Catedral os Danzantes de San Lorenzo, encerraram os festejos, com um reportório cheio de movimento, que "enfeitiçou" o público.
Hoje com mais razão do que nunca faço minhas as palavras desta lindissima Oração de Santo Inãcio:

Anima Christi
(Alma de Cristo)

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Do inimigo maligno defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me,
E mandai-me ir para Vós,
Para que Vos louve com os Vossos Santos,
Pelos séculos dos séculos.
Amen.


Santo Inácio de Loyola

Deixo-me Desafiar!

Deixo-me desafiar… mergulho dentro do tempo e do espaço e tento arrancar alguma coisa a corte de foice… outras menos exigentes

Eu quero: acreditar sempre no Amor.
Eu tenho: uma Alegria imensa de estar a caminho.
Eu acho: que o Homem foge de si mesmo.
Eu odeio: a hipocrisia.
Eu sinto: a presença de Deus em Ti.
Eu escuto: o Vento.
Eu cheiro: ainda a terra de África.
Eu procuro: a Fé.
Eu arrependo-me: do que ainda não tive tempo de fazer.
Eu amo: a Paz.
Eu sinto dor: quando sou traído.
Eu sinto a falta: por vezes de Gritar.
Eu importo-me: em não ferir o Outro.
Eu sempre: quero Ver.
Eu não fico: quieto.
Eu acredito: só em Deus.
Eu danço: só em sonhos!
Eu canto: muitas vezes… desde o levantar ao deitar. Ainda que não tenha muito talento!
Eu choro: muitas vezes: de alegria e de sofrimento!
Eu falho: muitas vezes.
Eu luto: pela Verdade
Eu escrevo: muito. Mesmo Muito.
Eu ganho: Tudo. Quando que me entrego.
Eu perco: Nada. Ganho semprealguma coisa.
Eu nunca: quero falhar, mas acabo por errar muitas vezes.
Eu confundo-me: com os movimentos artísticos do séc. XIX e do séc. XX. Lol
Eu estou: quase a sair daqui, graças a Deus.
Eu fico feliz: com os sorrisos dos meus sobrinhos.
Eu tenho esperança: de levar a paz e alegria ás pessoas que me rodeiam.
Eu preciso: sempre de Amigos á minha volta!
Eu deveria: ser mais Paciente.
Eu sou: umas vezes melhor que outras.
Eu não gosto: da falsidade.

Acho que é suposto desafiar seis pessoas. Que tarefa ingrata. Lol. Pois que sejam:
As vezes escrever uma definição… é mais difícil que um discurso

sábado, 9 de junho de 2007

As Viagens de Noe...

Ninguém disse que a vida era fácil... e o pobre do Noé, apanhado desprevenido, mesmo contra vontade, lá teve de juntar a bicharada na arca e partir para a aventura... A verdade, é que o Noé se deve ter enganado nas medidas, é que houve uns que ficaram mesmo de fora...Dizem as más linguas que as queixas de falta de espaço continuaram principalmente os da Classe Turistica.
Isto como tudo teve os sus dias... havia aqueles em que andava de vento em popa...

E outros andava a passo de Caracol, que como todas as criaturas, também teve o seu lugar na arca... Segundo a imprensa cor de rosa da altura... Noé, foi mesmo o Primeiro Pai Natal.
Foi numa destas longas noites de inverno que o Coelho se excedeu... e a seguir la veio a rebucada do Noé...O Pica-Pau sentido-se traido pela Pica-Paua, entrou num ataque de esterismo suicida! Foi o primeiro acto terrorista da História! Mas ainda assim o momento mesmo critico da viagem, deu-se quando a estupida da Galinha apanhou uma gripe!! Coisa rara e perigosa.
Acabada a chuva e acalmados os animos, já que o Coelho foi mesmo esfolado na Páscoa... o pessoal entrou em vacaciones... A desgraçada da Pomba, foi a unica a ter que fazer pela vida! Ainda hoje há quem a procure!
Por fim... até houve um retrato de familia... em que se deu os parabens a todos... inclusive ao Pica Pau, recuperado e casado em segundas núpcias com a galinha, já que o galo se tinha marchado numa noite fatidica de Dezembro!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Ser poeta, ou não o ser.

Um dos meus gostos pessoais é a poesia. Ler, meditar e escrever poesia, é como transformar-me em palavras, e conhecer-me melhor do que me conheço. Não sei se para a escrita o talento é muito grande… mas isso também pouco importa! Este gosto que já vem de alguns anos a esta parte, e foi crescendo aqui neste ano de “exílio” em Navarra, onde a poesia foi tantas vezes esse refúgio e lugar de encontro entre mim e Deus.
Nas minhas aulas de Teoria das Artes, falamos longamente da obra de Talkien e com ele aprendi que o mito não é produzir contos extraordinários, o mito é antes fazer com que o impossível seja de facto verosímil, ou seja, seja perfeitamente real. Eu acho que a poesia, é o reino do mito, onde desconcertadamente “tudo o que não é possível” passa a ser completamente verdadeiro. Acho que a poesia é a realização do mito por excelência.
A uns tempos atrás, foi-me pedido um poema e eu escrevi-o. Aconteceu algo de que já não falo, pois está sanado no meu coração, ainda que deixasse marcas profundas, inolvidáveis. Porque como diz o Dr. Santiago Hernández, “a poesia é esse lugar, onde o poeta pode deitar mão de tudo, e transforma o assombroso em possível. A poesia é esse canto do mundo em que um homem transforma o que “não pode ser” em si mesmo, e então o que não era ganhou vida”. Meio mundo não entende estas palavras, e transforma as palavras do poeta, que eram então o seu ser, em linguagem comum. Mas as palavras de um poeta não são usuais, pois elas são a capacidade de traduzir essa “fome e sede de Infinito de um poeta”. Mas, se a letra mata o Espírito vivifica. As palavras de um poeta, só se percebem quando nos deixamos penetrar pelo espírito, porque o poeta é artista em fazer esconder as verdadeiras palavras atrás de nuvens de letras. Há que saber sair da pobreza de um Eu, e deixar-se guiar pelo espírito, para alcançar esse “Reino de aquém e de além dor” do qual não há mapas a decifrar.
Mas já disse a nossa grandíssima poetisa Florbela Espanca que “ser Poeta é ser mais Alto, é ser maior do que os Homens”, por isso, acho que os poetas nunca serão totalmente compreendidos. Eu não sou poeta. Não sou capaz de aí chegar. Tenho o coração carregado de amarras que não me deixam ganhar as necessárias “asas e garras de Condor”. Quero corta-las, ainda que alguns teimem em atá-las. Voltarei a desfazer os nós e tentar chegar a esse reino lá longe, onde só um poeta pode ter “manhãs de ouro e de cetim”, onde pode “condensar o mundo num grito” e até, escrever em “cinzas de cristal”.
O Caminho Solitário dos Poetas...